04.03.2015

Resenha + crítica: Cinquenta tons de cinza (+18)

CINQUENTA_TONS_DE_CINZACinquenta tons de cinza
Autor: E. L. James
País: EUA
Editora: Intrínseca
Mais informações: Skoob
Sinopse: Quando Anastásia Steele entrevista o jovem empresário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Grey admite que também a deseja – mas em seus próprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferências de Grey, Ana hesita. Por trás da fachada de sucesso – os negócios multinacionais, a vasta fortuna, a amada família -, Grey é um homem atormentado por demônios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana não só descobre mais sobre seus próprios desejos, como também sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos…

Cinquenta tons de cinza 1

Resenha: Podem pasmar porque eu li de verdade… Eu li o livro TO-DO. Em uma semana. Quer saber mesmo minha opinião?
Me senti entediada durante o livro porque não passa de um romance mamão com açúcar em que o casal tenta mostrar as tecnicas de BDSM.

“Mas como assim, Bela?”

Gente, sério, eu pensei que todo esse furduncio por causa do livro Cinquenta tons de cinza tivesse algum segredinho apimentado mas não achei nada de WOW. Achei uma leitura apimentada para donas de casa, tipo Sabrina e Julia (pra meninas mais novinhas, vale a pena conhecer esses livros que suas mamães com certeza leram).

O livro parece ser a história de um cara sem sentimentos que curte uns sadomasoquismo que submete uma ninfeta indefesa mas ao começar a ler eu só vejo a Anastácia como uma garota insegura -igual qualquer outra e o Grey, um cara que parece ser indomável mas cai aos pés como um juvenil apaixonado por uma virgem. Ah, fala sério?!

Cinquenta tons de cinza 2

‘Blábláblá não durmo com as mulheres que fodo. Blablabla não faço amorzinho’ – Todo e qualquer argumento invalidado com essa foto, Mr. Grey.

Dos 16 aos 20 eu tive fake: que era -na minha época- basicamente criar uma vida virtual, onde você era alguém de banda e tinha relacionamento, filhos e até um msn próprio para a vida dele. Durante esses quatro anos, tive relacionamentos no mundo fake que exigiam sexo virtual, nada de fotos das pessoas mas sim ‘turnos’ de sexo. Quase uma narrativa do momento. Tenha certeza, que a maior parte dos turnos que participei eram 300x mais exitântes do que a descrição da escritora para a posição cachorrinho.

Aliás, muitos dos que tinham fake, também escreviam Fanfictions (histórias que giram em torno de uma continuação de filme, livros e/ou de pessoas famosas). A L. James escrevia Fanfictions do Crepúsculo. E decidiu por mudar os nomes e criar este livro.

Então, o porque de todo o alvoroço em torno do livro (e do filme) 50 tons de cinza?
Pelo simples fato de que em pleno ano de 2015 mulheres ainda são reprimidas no quesito sexo, no querer, no desejar, no se tocar e de se sentirem potentes. Que em pleno ano da luta do feminismo, mulheres não possam desejar serem submissas a seus homens, ter desejos e coisas do tipo porque já vem um turbilhão de ativistas reclamando que o livro é machista, porque se o Cristian Grey fosse um pobre e feio ninguém o desejaria.

Toda a audiência da Anastácia sendo submissa do Mr. Grey só entra na minha cabeça que existem formas de enxergar esse conflito com o feminismo: a diferença entre a forma que as pessoas interpretam o livro (que vai da cultura e da vivência de cada uma das leitoras) á mulheres que dizem que ‘queriam um Grey pra ter em casa’ (que é um BAITA COMPORTAMENTO DE MULHER MAL COMIDA, alienada e burra).

Antes de ler o livro, eu julgava-o por ser romance de mulher alienada porque todas que eu via lendo, estavam escondendo aquele sorrisinho safado em canto de lábios. Essas mesmas que não se dão por completo para seus homens, que não se masturbam e conhecem seus limites.

Tem também as que dizem ‘ai que horror, não quero saber dessas técnicas de BDSM, é terrível’ porque essas cabecinhas de funis vão passar o resto da vida achando que amor é fazer papai e mamãe e histórias tipo Nicholas Sparks. Saber os limites que seu corpo chega e tentar coisas novas é do ser humano. É o animalesco aceitável.

É bom ter essa fuga de realidade (que está gerando o auê pelo 50 tons de cinza) mas tem que deixar de ser um problema e parar de interferir no pensamento das pessoas. Tem que interferir na vida real, fazer com que as pessoas gozem mais da sua vida do que ficar impondo o que diacho a escritora estava pensando quando ela escreveu, porque bla bla afronta o feminismo e tudo que mulher lutou até o momento.

Porque enquanto existem mulheres lutando por ai por seus direitos, existem outras que destroem toda uma luta por causa de um cara ficcional ‘rico, bonito e deus do sexo’.

Acredito que todo o frenesi causado pelo livro (e o filme) 50 tons de cinza seja uma evidência de que ainda existem mulheres que acham tentador serem submetidas a um homem para conseguir algo em troca. É o tal ‘bom partido’ que as cabeças ocas acreditam que tem que agarrar, ao invés de se concentrarem em uma vida saborosa na gozolândia seja com um cara simpático e que mexeu com seu coração.

E uma observação: não faço nem questão de continuar a leitura das sequencias. Existem livros maravilhosos a minha espera. Tipo Sabrina e Julia HUSIHAUISHUIAHSUIHAUISH

Outra observação: se for pra comentar algo nada a ver com o post, nem comente, por favor.

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