02.03.2016

Resenha: Holocausto Brasileiro

HOLOCAUSTO BRASILEIRO | Daniela ArbexAutor: Maurice Sendak
Ano: 2013
Editora: Geração
Páginas: 256
Mais informações: Skoob (4,4)
Sinopse: Neste livro-reportagem fundamental, a premiada jornalista Daniela Arbex resgata do esquecimento um dos capítulos mais macabros da nossa história: a barbárie e a desumanidade praticadas, durante a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil, conhecido por Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena. Ao fazê-lo, a autora traz à luz um genocídio cometido, sistematicamente, pelo Estado brasileiro, com a conivência de médicos, funcionários e também da população, pois nenhuma violação dos direitos humanos mais básicos se sustenta por tanto tempo sem a omissão da sociedade.Livro : Holocausto Brasileiro| A Bela, não a Fera

Desde o lançamento, fiquei interessadíssima na leitura desse livro, que teve muita divulgação quando lançado. Afinal, estava contando algo que aconteceu bem em baixo dos nossos narizes e que mal é comentado. Como aconteceu no estado de Minas Gerais, é mais comum pessoas de lá conhecer a história mas eu, de São Paulo, nunca soubera.

Uma colega de trabalho me emprestou e devorei o livro em um dia e meio. Ele é repleto de imagens (FORTES, MUITO FORTES) e a fonte é enorme.

É assustador pensar que possa existir uma névoa que inebria nossos sentidos e deixamos de pensar em dramas que acontecem bem próximo de nós. Na escola, os alunos estudam sobre o Holocausto Alemão mas nunca vão saber do genocídio que aconteceu na cidade de Barbacena.

Desde o primeiro capítulo você tem uma coisa em mente – tudo não passa de uma crueldade planejada.

Colônia, o hospital psiquiátrico da cidade de Barbacena, Minas Gerais, foi residência fixa não só para pessoas com esquizofrenia mas para aqueles que não aceitavam as imposições de regras, adúlteros, alcóolatras, garotas que foram estupradas por patrões, pais que não aceitavam que a filha tinha perdido a virgindade antes do casamento, prostitutas, homossexuais… Tudo que se tratasse de um tipo de desvio de conduta para a época.

Estavam confinados, sem distinção, crianças, homens e mulheres. Todos sentenciados á morte, em vida.

O Colônia era um campo de concentração travestido de manicômio. Fezes por todos os lados, sem roupas para proteger do frio cortante da serra da mantiqueira, má alimentação e negação dos direitos humanos. Livro Holocausto BrasileiroO escritor Guimarães Rosa retrata em Sorôco, sua mãe, sua filha, o Trem da loucura. Um trem que ia mas nunca voltava. O destino? O manicômio Colônia.

Pessoas privadas de suas identidades, por anos em silêncio, assinando seu nome apenas com digitais.

Um comércio começou ali: de corpos para as grandes universidades do estado Mineiro. Não só de corpos desnutridos de antigos moradores do Colônia mas de estudos de Lobotomia e choques elétricos em recém chegados no manicômio.

Aquilo não foi um acidente mas um assassinato em massa.

Hoje, existe uma residência psiquiátrica para os sobreviventes, em Barbacena, certa de 170 pessoas mas a dívida que o Estado tem com eles é incalculável. Eles foram privados de conviver com seus parentes, de ter uma profissão. Como seria resgatado o sofrimento imposto por uma vida inteira?

O livro em si é mal estruturado, erros de português, com repetição de informação (60 mil mortos) e até algumas coisas desnecessárias, como um capítulo inteiro contando a vida inteira do fotógrafo que documentou a insalubridade e rostos.

Terminei o livro com vontade de conhecer o Museu da Loucura e curiosa sobre quantos outros casos de genocídio podem ter acontecido no país e que continuam em baixo do pano…

No próprio livro é citado o Documentário Em Nome da Razão (1979), por Helvécio Ratton.

 

  • hellz em 02.03.2016

    OI BELA!

    Pois é, tantas atrocidades aconteceram debaixo da nossa saia, por aqui mesmo, e a gente tem uma mania fdp de só se solidarizar com a dor que vem lá de looooonge. O Brasil sofreu tanto quanto o foco, lá na Alemanha, então vamos chorar por nós também!

    (admiro livros com esse cunho jornalístico e já quero)

    beijo
    beinghellz.blogspot.com

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  • Isabela Carapinheiro março 9th, 2016

    Precisamos de mais livros reais para dar aquele choque fora da fantasia :c

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  • Carla Bianca em 02.03.2016

    Gente, eu nunca ouvi falar disso e olhe que fiz enfermagem, peguei psiquiatria e não sabia desse fato lamentável. Lógico que sabia que os manicômios colavam todo esse pessoal e do tratamento desumano, mas desconhecia a “Colônia” e de todo o fato documentado.
    É triste não sabermos das nossas próprias tragédias, também fico imaginando quantas atrocidades ocorreram que nós não temos nem ideia :/.
    Pena que o livro não é mal estruturado, mas acho que vale a pena para conhecer o fato né?
    Beijos

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  • Isabela Carapinheiro março 9th, 2016

    A leitura vale a pena pelo conteúdo e conhecer o fato, com certeza!

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  • Paty em 02.03.2016

    Eu sou LOUCA pra ler esse livro! Lembro que encontrei por acaso em uma livraria, mas não comprei porque estava sem grana :[

    É incrível o que acontece bem aqui, embaixo do nosso nariz, e nós não temos noção. Dão muita atenção ao que ocorre fora do país e ignoram os horrores que os brasileiros já enfrentaram.

    Vou salvar esse documentário e assistir mais tarde!

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  • Isabela Carapinheiro março 9th, 2016

    Duas! Eu tinha visto em livraria mas não cheguei a comprar! Ainda bem que me emprestaram!

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  • Camila Drumond em 02.03.2016

    Fiquei curiosíssima para ler o livro. Eu sou mineira e mesmo aqui o que a gente escuta sobre esse hospital psiquiátrico de Barbacena não tem muitos detalhes.
    Sabe, eu compartilho da sua suspeita/opinião de que muitos casos como esse não só aconteceram como ainda acontecem mas não chegam ao conhecimento publico. O preconceito e a exclusão social não acabaram não, infelizmente. Eles só andam disfarçados hoje em dia.
    Beijos!

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  • Isabela Carapinheiro março 9th, 2016

    Eu pensava que o pessoal soubesse bem mais aí.

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  • Filipe Moreira em 02.03.2016

    Nunca tinha ouvido falar deste “hospício” e do que ocorreu nele, mas essas práticas desumanas eram bastante comuns nessas casas de tratamento e reeducação – como eram ironicamente chamadas – muito interessante o livro 🙂

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  • Clay em 02.03.2016

    Bela, tive que fazer um trabalho no ensino médio sobre o assunto.
    E foi dessa forma que eu conheci a história, por isso fiquei com vontade de ler o livro.

    Triste saber o que isso tudo causou =(

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  • Isabela Carapinheiro março 9th, 2016

    Bom saber que alguém conhecia já sobre Barbacena, me senti muito idiota por nunca ter ouvido falar.

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  • Marcela em 02.03.2016

    Eu quero MUITO ler esse livro. Já me falaram bastante dele tanto em Sociologia Jurídica quanto nas aulas sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, e todo mundo me recomendou um estômago forte (ou, pelo menos, vazio) durante a leitura. Confesso que sempre dou uma desanimadinha quando fico sabendo que o livro é mal editado ou estruturado, mas, ao mesmo tempo, o fato de ser uma leitura rápida voltou a me animar bastante. Tá na minha meta de leitura pra esse ano, com certeza!

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  • Isabela Carapinheiro março 13th, 2016

    Tenta ver o documentário depois da leitura, que aí você vai associar algumas coisas ditas no livro!

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  • Dai Castro em 02.03.2016

    Nossa que pesado, né? Eu já tinha ouvido falar sobre o assunto em algum documentário (ou coisa assim pela tv) mas não sabia que chegava a esse ponto. Realmente é algo que não nos é ensinado na escola…

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  • Isabela Carapinheiro março 13th, 2016

    Algo que deveria ser ensinado. :/

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  • Barbara em 02.03.2016

    Uma vez vi um cara lendo esse livro no ônibus e fiquei curiosa por conta do título, fui pesquisar e fiquei chocada. Eu quero ler mas ao mesmo tempo não quero, pois sei que deve ser super pesado…

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  • Isabela Carapinheiro maio 11th, 2016

    Eu achei ele bem pesado, fiquei meio desnorteada após a leitura.

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