09.04.2017

Não romantize a ansiedade (ou outras doenças psicológicas)

Lembro a primeira vez que li sobre a ansiedade na internet e foi em um textinho do tumblr. Neste segundo, achei que ‘finalmente alguém me entedia’. Ao continuar a leitura, percebi que minha ansiedade não era como o escrito ali.

Os motivos pareciam esdrúxulos pra mim, tipo falar que estava ansioso para uma prova mas ainda assim conseguia comer, pensar e sair para beber.

A mesma coisa aconteceu sobre os posts sobre ser bi-polar: ‘Quando estou no lugar x, sou feliz mas quando vou para o lugar y, me sinto mal’ – tipo a escola ou voltar para casa, ficar na presença dos pais.

Uma grande coisa que tenho em mente é que o tumblr sempre foi e será a rede social dos jovens. Aqueles que não conseguem ainda entender os próprios sentimentos e que entram em contradição diversas vezes.

E de repente, todo mundo sofre de doenças psicológicas.

Ter depressão é o cult. Todo escritor, cineasta, Lana-del-Rey-da-vida já teve ou tem depressão.

Veja bem, não estou falando que ninguém tem nenhuma doença psicológica. Estou dizendo que o sofrimento de quem tem é muito maior do qualquer quote com foto bonita de fundo possa exemplificar.

Eu sempre tive crises de ansiedade ao ponto de ter que estar em algum lugar ás 15h e desde o minuto que acordava, sentia o coração acelerado, preparava diálogos mentais, tremia e suava até que o momento acontecesse. E dependendo da situação eu ficava cega enquanto acontecia, do tipo não lembrar nada do que aconteceu. 

Mês passado tive a sensação de que morreria ao ter um ataque de pânico em casa. Não foi nada bonito. Nada romantico como em um filme do Wes Anderson.

Ainda não estou melhor.

Não tomo café faz um mês e descobri que até mesmo chás que contem cafeína aceleram meus batimentos cardíacos depois do ataque de pânico. Minha saúde está mais estranha que clipes da Anitta.

Não é cult sentir tanto medo de não conseguir respirar ou diminuir seus batimentos cardíacos. Não é legal sentir tanta confusão na mente que ao mesmo tempo que você quer ficar sentada, querer levantar, tirar a camiseta, colocar uma meia e ter o nariz gelado.

Tenho policiado meus pensamentos, feito yoga e lido sobre o budismo. Quero minha mente sã sem apelar aos medicamentos.

E aí vem as sugestões amigáveis: sai pra caminhar, assiste uma série, vai ler. Além do famoso pare de drama, não tente chamar a atenção. Não quero em momento nenhum dizer que as pessoas devem parar de tentar ajudar – apenas que elas precisam desenvolver mais sensibilidade quando falam com um doente, não devem tratar de forma banal.

Um dos principais pontos é parar de tratar as doenças psiquiátricas como doença de rico.

Acredite, este tipo de grupo cult é um que você definitivamente não quer fazer parte.

Se dizer doente com base no google ou no sentimento de sexta-feira á noite no tumblr, pra parecer legal, pra manipular alguém, porque tá na moda, só te transforma em um debilóide desrespeitoso.

“Tá até tirando foto sorrindo!”
“Doente? Mas tá até fazendo vídeos todo dia pro youtube! Tá postando mais que eu!”

Quem se interessa por alguém que está passando por um transtorno adaptativo + doença psicológica?! Eu é que não quero postar coisas tristes e falar várias vezes das sensações horríveis que tenho sentido.

A melhor forma de tratar doenças psicológicas é fazer com que a pessoa tenha momentos de lazer e que não pense em coisas ruins.

E como a internet tá aí, quem quiser ler, lê e quem não quer, fecha a aba, decidi escrever sobre algumas coisas que estão me ajudando no dia a dia com a ansiedade e o pânico.

  • Carol Garcia em 09.04.2017

    Oi Bela,
    Não sei se meus comentarios ajudam ou atrapalham. Mas um dos motivos (dos muitos motivos), que leio o seu blog é que acompanho seus textos sobre depressão e ansiedade (meu pai passa por depressão a 5 anos).
    Antes eu era essas pessoas que achava que essas coisas eram ‘frescura’, até sentir de perto, ter alguém proximo passando por isso. E como a mente muda quando isso acontece. Pode ser do pior modo, pode?!

    Mas hoje tento entender a pessoa que esta passando pela situação X. E tento todos os dias me policiar mentalmente que cada um sofre das mais diversas maneiras a mesma situação. E ter uma pessoa ao lado, um apoio junto, faz toda a diferença..

    Força do lado dai, não é fácil, mas você é forte, e vai conseguir superar! Fique bem…

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  • Bruna Morgan em 09.04.2017

    Eu admiro que você fale sobre essas coisas no blog e no vlog. Com relação a depressão e ansiedade, eu só posto desabafos, e descobri que algumas blogueiras falaram mal do meu blog, que ele é muito depressivo.

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  • FERNANDALUCENA em 09.04.2017

    Oi Bela
    O problema maior é a banalização né?!
    Virar moda, qd na vdd é um assunto tão sério, tão grave!
    Espero que vc consiga melhorar e ter dias mais tranquilos.

    Bjoooos

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  • Rafaela de Albuquerque Ivo em 09.04.2017

    Eu também penso igual à ti nesse ponto, Bela…
    Quem vai querer saber como foi pra mim ter um ataque de pânico no ônibus do lado do cobrador?
    Melhor falar de coisas legais, coisas felizes, né?
    E sinceramente, quem romantiza transtornos psicológicos nunca foi refém de um, não sabe o que é se sentir preso dentro da própria cabeça. Me identifiquei muito com teu texto e tua maneira de pensar, me dá uma raiva de ver as pessoas brincando com transtornos psicológicos e achando que é doença de mimado.
    Obrigada mesmo por esse post, um beijão pra ti!
    http://www.vultuspersefone.blogspot.com

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