Categoria "Textos Autorais"
29.03.2016

Aprendizado depois dos 25

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Eu costumava a acreditar que seria como nos contos de fadas que meus pais sempre me induziram a acreditar: um desconhecido apareceria em minha vida, começaria a fazer parte dela e nós ficaríamos juntos. Que com 25 anos, eu seria uma mulher casada, com deveres no trabalho e em casa, como mãe e esposa. Bom, é assim que os adultos encontraram como nortear uma criança.

Acreditei que com 15 anos, eu teria uma festa totalmente de dama e meu amor do colégio estaria para dançar uma valsa comigo. Meus pais se separaram nessa época, e na verdade, meu aniversário passou-se na frente de um juiz em uma disputa de guarda.

Assim como no ensino médio, eu acreditava que gostariam de mim por quem eu era, não pelo que eu tinha. Entrei em depressão e não conversavam comigo durante as aulas.

Pensei que terminaria a escola e entraria na faculdade, como todos os filmes que eu assistia. Que teria um amor ao meu lado e lutaríamos para alcançar nossos desejos. Encontrei um emprego mais ou menos onde me mantive por três anos por causa da grana, para ajudar minha mãe.

Alguns anos depois a ideia da faculdade realizou-se. Meus pais diziam que na hora certa alguém apareceria, que faria parte dos meus dias e como nos filmes, continuei a imaginar que seria nessa época. Finalmente aconteceria. Me formei três anos depois sem saber o que era amar realmente já que todos só queriam se divertir.

Parei de acreditar que a vida segue um roteiro como dos filmes ou como aconteceu com pais, avós, bisavós.

Expliquei aos meus pais que comigo não funcionaria da forma ‘regrada‘.

Que eu não esperava necessariamente um príncipe encantado mas uma pessoa que me fizesse bem, que compartilhasse anseios e desejos em comum, independente do sexo.

Que o sexo teria que ser gozado por mim e pela outra pessoa, não de forma mecânica, para procriação ou para prender um companheiro ao satisfazê-lo.

Que o amor não aconteceria uma única vez e para sempre, poderia acontecer a cada nova manhã de outono ou a cada nova viagem.

Que minhas noites de sexta-feira e sábado não seriam de noitadas e bebidas; seriam de filmes, seriados, livros e estudos por conta própria. E que não, não seria por que não tinha companhia mas por puro prazer.

Assim como meus pais me induziram em acreditar em um método de vida dentro de uma caixa, mostrei para eles a possibilidade de ser feliz com conhecimento e pessoas que vem e vão de sua vida deixando aprendizados, mágoas e alegrias.

642 coisas para escrever sobre

#3. O que você costumava fazer, porém agora não faz mais?

642 coisas sobre as quais escrever é um desafio que foi criado em 24h por 35 escritores, que se juntaram para formar o grupo The Grotto em São Francisco. A intenção era juntar mais e mais escritores, formando uma conexão de inspiração.

Os desafios podem ser feitos na ordem, ou escolhidos aleatoriamente. Como sou maluquinha e não conseguirei seguir ordem e fazê-los todos os dias, cada vez escolherei um número.

Quem quiser ver os itens, só dar uma olhadinha no meu Listography!

15.03.2016

Carbona

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Quando entrei no bar mais imundo da Rua Augusta, a única coisa que eu esperava eram algumas doses de tequila para inebriar os sentidos e esquecer sentimentos não vividos.

Ao tirar o capuz da blusa de frio e direcionar o olhar para o atendente, senti um calor percorrer todo meu corpo. Atrás do balcão, um cara com olhos tão gelados quanto essa noite de chuva. Ele vestia uma camiseta básica e suspensórios

Ele conseguiu quebrar a paralisia do tempo abrindo um sorriso quente, perguntando se eu queria algo.

Meu cérebro me zoou com um ‘você’, que fez com que as palavras não saíssem pela boca.  Debrucei no balcão e apontei para a garrafa de líquido amarelado, de nome mexicano.

Colocou um copinho, já cheio no balcão, entregou-me o saleiro e um limão, que fiz questão de empurrar, virando todo o conteúdo do copo na boca. A careta foi inevitável.

Ele sorriu, mencionando encher o copo novamente e eu apenas concordei com a cabeça.

-Dia difícil?

-Na verdade, vida difícil.

-Posso perguntar o motivo? – o cara que eu nem sequer sabia o nome se interessava mais no que eu tinha a dizer, do que pessoas que estão ao meu redor todos os dias.

-Não sinto nada. Um século tão cheio de estímulos por toda parte e eu não consigo sentir absolutamente nada! – ergui o copo e virei-o na boca.

A verdade, é que eu não estava sentindo nada até o momento em que pisei naquele bar. Eu não conseguia ler nada da personalidade desse cara, além de que ele era um ser noturno, como eu.

-Hum, sei como é… – disse, terminando o assunto.

Virei de costas para o balcão, ficando de olho no movimento da rua, esquecendo quase que completamente o que estava procurando, e a intimidação que senti por conta do barman. Olhei no celular a hora e metade da madrugada tinha passado. Levantei e fui até o banheiro.

Um fato engraçado sobre banheiros de bares é que tem todos os tipos de recados nas paredes. Li alguns tentando imaginar as situações em que foram escritas enquanto pegava do fundo da minha carteira meu último beck. Sentei na tampa da privada e o acendi.

O primeiro trago trouxe-me o deleite da pissíbilidade de sentir algo.

No segundo, tossi no susto: alguém batia na porta. Nem cogitei a ideia de apagá-lo e ouvi o barulho de chaves, logo a maçaneta girava. O carinha do bar entrou, dando uma última olhada para trás.

-Bem, acho que teremos de dividir o esconderijo.

Ergui a mão oferecendo meu beck e ele fez que não com a cabeça, mostrando a língua. Demorei uns segundos para perceber um pequeno pedaço de papel quadrado e colorido na língua dele.

Dei outra tragada, encarando-o profundamente sem perceber.

Á essa altura, ele já estava curtindo a vibe encostado na parede, assim como eu. Deslizou o pé que estava apoiado e veio em minha direção lentamente.

Os sentidos estavam mais lentos mas entendi o que ele estava prestes a fazer, por que era o que eu queria também. Levantei do assento e cruzei os braços atrás da cabeça dele, levando um choque quando seus lábios tocaram os meus. Nesse meu momento meu coração acelerou como se eu quase tivesse sofrido um atropelamento.

Abri os olhos para marcar seu rosto e um flash do seu sorriso de canto, com olhos intensos me fitavam.

Alguns minutos depois, eu realizei que estava pendurada em seu colo, ambos ofegantes. Deslizei minha mão por sua lateral; ainda com o outro braço apoiado atrás de sua cabeça, segurando o beck, até alcançar seu oblíquo. Suspirei ao passar a ponta das unhas pelo meu lugar preferido no mundo. Deu até para sentir as bolinhas de arrepio erguendo-se.

Ele tomou o zíper de meu jeans enquanto tentava me colocar no chão. Resmunguei baixinho por causa de nosso afastamento e logo em seguida, fui puxada de volta, chocando nossos corpos.

Depois disso, tenho apenas lembranças vagas de meu corpo sendo chocado entre a parede e o corpo dele.

Senti tudo que estive procurando por todo esse tempo: paz mental.

Acordei, meio desnorteada e abrir os olhos no susto. Estava em minha cama, sozinha.

O mais agonizante era que continuava não sentindo nada, apenas que voltei para a realidade em que aqueles olhos intensos não existem e que nunca vamos nos encontrar de verdade.

 

08.03.2016

Pedidos.

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A verdade é que eu posso ser grossa, rude, ignorante, estúpida, retardada. Eu posso ignorar muitas coisas, o dia inteiro. Por dois dias, uma semana. Eu posso responder e dar moral para pessoas que nunca conversei. Curtir um fim de semana na praia ou uma noite de bebedeira com as amigas. Eu posso dizer para os quatro cantos da Índia, do continente, do mundo que estou bem, que não preciso de você para ser feliz; o que é, realmente, a verdade. Assim como você também não precisa de mim pra nada, nunca precisou, muito menos para ser feliz.

A questão é que ser feliz sozinha não é gostoso como quando estivemos juntos. Eu posso não precisar de você pra ser feliz ou me divertir mas eu sempre vou precisar de você para ter a certeza que aquilo é que amar.

Me sinto oca de saudades de você. Ou pelo menos da pessoa que eu pensei estar apaixonada. Do ser que idealizei, mentalmente, ser um parceiro para a vida inteira.

 E não importa o que eu faça, sempre volto a ter pensamentos de como estaríamos nos dias de hoje.

Sempre vou te amar. Em todas as noites, multiplicando esse amor de dia. Durante as madrugadas? Bom, ai eu estarei aqui, rezando e pedindo baixinho, só pra você estar bem, e amando alguém também.

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