10.12.2016

Conto Natalino🎄 : A Garota e o Pardal 👧🐤

Photo credit: Lucas Lucas via Visualhunt / CC BY

A neve cobria tudo que se encontrava ao alcance dos olhos, refletindo as poucas horas de luz que o dia trazia na pequena vila de Verkaus. Mesmo com o vento gelado e frio, as aves não descansavam durante os meses congelados á procura de alimento.

Ao abrir os olhos e espreguiçar-se em sua cama quentinha, com a luz do dia entrando por sua janela, Annika pôde ver pela janela uma árvore com seus galhos cheios de neve. Seu pensamento foi logo levado aos pássaros da região, sem entender onde dormiam ou como conseguiam comida já que as frutinhas de verão estavam escondidas pela camada de gelo.

– O Natal é uma época tão feliz para as pessoas mas o que será dos passarinhos sem comidinhas e um ninho quentinho? 

Annika correu para a janela e ao abri-la, avistou o Pardal que costumava visita-la quase todas as manhãs. Um Pardal com uma manchinha castanha no peito que lembrava muito a cor dos cabelos do irmão mais novo. Esse que não estava mais morando com ela desde que foi levado á terra dos anjos por causa de uma doença que tinha um nome estranho e que fazia com que ele perdesse todos os fios de cabelo.

Voltou-se para sua escrivaninha, em que tinha um potinho com a maçã que comeu na noite anterior, retirou as sementinhas e levou-as até a janela, na esperança do pássaro vir para alimentar-se.

O Pardal voou até a mão da garotinha e após bicar o primeiro grão, um raio de luz encheu o quarto de alegria e a ave começou a falar:

-Em todas as manhãs em que te visitei, você não deixou de me dar alimento durante os dias frios. Este é o seu presente de Natal, a compaixão dos anjos de me deixar vir até você por saudades que tinha em meu peito e não podia mais conter. Sou eu, seu irmãozinho que retornou á Terra no corpo dessa ave. Vim para te agradecer pela bondade, por ter me protegido em vida humana e em vida animal. Não se esqueça nunca do real significado do Natal e que enquanto os anjos permitirem, virei te visitar e te lembrar de que um dia estivemos unidos em vida. 

A garotinha deixou o Pardal pousar em seu ombro, e em lágrimas de alegria, faz um leve carinho em sua penugem, prometendo silenciosamente em cumprir o desejo de seu irmãozinho.


Escrita por Isabela Carapinheiro Välimaa. Inspirada na canção finlandesa ” Varpunen jouluaamuna” .

08.03.2016

Pedidos.

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A verdade é que eu posso ser grossa, rude, ignorante, estúpida, retardada. Eu posso ignorar muitas coisas, o dia inteiro. Por dois dias, uma semana. Eu posso responder e dar moral para pessoas que nunca conversei. Curtir um fim de semana na praia ou uma noite de bebedeira com as amigas. Eu posso dizer para os quatro cantos da Índia, do continente, do mundo que estou bem, que não preciso de você para ser feliz; o que é, realmente, a verdade. Assim como você também não precisa de mim pra nada, nunca precisou, muito menos para ser feliz.

A questão é que ser feliz sozinha não é gostoso como quando estivemos juntos. Eu posso não precisar de você pra ser feliz ou me divertir mas eu sempre vou precisar de você para ter a certeza que aquilo é que amar.

Me sinto oca de saudades de você. Ou pelo menos da pessoa que eu pensei estar apaixonada. Do ser que idealizei, mentalmente, ser um parceiro para a vida inteira.

 E não importa o que eu faça, sempre volto a ter pensamentos de como estaríamos nos dias de hoje.

Sempre vou te amar. Em todas as noites, multiplicando esse amor de dia. Durante as madrugadas? Bom, ai eu estarei aqui, rezando e pedindo baixinho, só pra você estar bem, e amando alguém também.

05.01.2016

Obituário surpresa

Obituário surpresa

A maioria das pessoas acha que obituários são coisas tristes de se fazer. Que é uma profissão amargurada.

Bom, essa sou eu, Liza. Tenho 22 anos. Dizem que sou encantadora e ingênua para que esse seja meu primeiro emprego como escritora.

Pois é, ninguém entende como posso amar escrever e não desmotivar com o trabalho que consegui.

Escrever obituários, na verdade, está bem longe de ser algo penoso.

Eu não descrevo como as pessoas morrem. Descrevo suas relações de epifania de vida.

Como hoje, por exemplo: eu estava saindo em meu horário de almoço para procurar algo para comer quando um senhor me agarrou.

-Senhorita Liz Stanley?

-Sim, eu mesma.

-Preciso que escreva o obituário de minha esposa antes que ela morra.

Peraí, gente, eu NUNCA escrevi um obituário de alguém VIVO!

– O senhor deve estar confuso… Obituários são escritos quando as pessoas passam dessa para melhor. – Desculpem, eu não consegui pensar em uma frase melhor naquele momento.

– Na verdade, senhorita, eu sei exatamente o que quero que seja dito sobre a mulher que me acompanhou a vida toda. Quero que ela veja ainda em vida…

Qual seria o problema de inovar? Se ainda tem dúvidas, aceitei o trabalho. Acreditem, comecei a escrever naquele mesmo momento.

– Posso começar a falar?

-Sou todo ouvidos…

Julia Quinn, alma gêmea, mãe, avó e bizavó.
Deixa ensinamentos para toda a vida: 
Se divida sua cama com os filhos, netos e até os gatos e cachorros. 
Vá a um hospital e abrace a todos. Escute suas histórias. Grave seus nomes e feições. 
Nunca diga nada de mal sobre alguém e nunca escutará nada sobre você. 
Diga sempre o que sente. A vida é só uma para fazer charme com seus dramas. 
Ajude sempre os outros. Mesmo que lhe falte dinheiro. Sempre tem alguém que precisa mais.
Tantas outros momentos de sua vida foram divididos sabiamente com as pessoas ao seu redor que carregarão suas palavras a diante. 
                                         Com amor, Família Quinn.

Ao terminar de escrever, olhei bem no fundo dos olhos do senhor que me pediu com tanto carinho por essas poucas palavras.  Ele estava radiante!

Abriu sua carteira e desamassou suas economias para me pagar.

-Obrigada senhorita, seu dom de passar sentimentos para o papel fará com que a alma de minha esposa vá na mais plena paz que poderia.

Não pude deixar de sorrir e concordei com a cabeça, ainda na dúvida se deveria aceitar aqueles trocados por um trabalho feito com amor.

Vi o senhor se afastar aos poucos e quando ele se aproximou do meio fio, virou-se uma última vez para abanar sua mão dando um adeus não intencionado.

Um carro desgovernado veio em sua direção, arremessando-o metros adiante.

O choque me parou. Fiquei sentada lá olhando toda a correria sem saber o que pensar ou dizer.

Com lágrimas escapando de meus olhos, voltei minha mão com a caneta no papel e escrevi em poucas palavras em felicidade e agradecimento.

Senhor Quinn. Amado marido, pai, avô e bisavô.
Um dia sua vida passou bem na frente de seus olhos. Foi quando realizou que valeu a pena assisti-la.

642 coisas para escrever sobre

#43 – Escreva um pequeno obituário de um estranho que você encontrou recentemente.

642 coisas sobre as quais escrever é um desafio que foi criado em 24h por 35 escritores, que se juntaram para formar o grupo The Grotto em São Francisco. A intenção era juntar mais e mais escritores, formando uma conexão de inspiração.

Os desafios podem ser feitos na ordem, ou escolhidos aleatoriamente. Como sou maluquinha e não conseguirei seguir ordem e fazê-los todos os dias, cada vez escolherei um número.

Por sinal, abandonei por quase 6 meses o projeto mas voltei! Quem quiser ver os itens, só dar uma olhadinha no meu Listography!

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